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O DESAFIO DE SE FAZER A GESTÃO VIRTUAL DE PESSOAS

Fonte: Valor Econômico – SP – Carreira – 21/01/2008

Marcelo Mariaca

A globalização impôs novas exigências para os líderes de empresas globais, além do conhecimento de gestão, da capacidade de inovar, de se adaptar de forma rápida e eficiente à nova realidade e de prever cenários e o futuro. Outro grande desafio é trabalhar com times de diversos países, multiculturais, e criar relacionamentos e alianças estratégicas ao redor do mundo que ajudem a desenvolver os negócios.

Mais ainda, a gestão de capital humano se tornou mais complexa na globalização, pois em muitos casos não é possível manter o relacionamento interpessoal. Hoje, grande parte do relacionamento entre os executivos e seus pares e liderados é mediada por meio de tecnologias como videoconferência, conference call ou pela internet. Daí, o conceito de líder virtual.

Pesquisas realizadas em alguns países revelam que a arte da liderança virtual é a terceira habilidade mais importante que o verdadeiro líder global deve desenvolver tanto para motivar times de diferentes culturas e diversos “sotaques” a cumprir os objetivos e atingir as metas da corporação, quanto para construir alianças e parcerias estratégicas, dentro de parâmetros de confiança, credibilidade e ética. O sucesso ou o fracasso das alianças está relacionado ao cumprimento de regras.

A comunicação torna-se vital nesse processo. Para superar os desafios impostos pela globalização, o líder verdadeiro precisa preservar a comunicação mais honesta, íntegra e no tempo certo, de modo a obter o espírito de colaboração dos times e dos parceiros estratégicos. Saber se comunicar, ou seja, compreender o que as pessoas dizem e se fazer entender, tornou-se, portanto, uma credencial importante para o executivo- e as empresas estão preocupadas com isso.

Em visita ao Brasil em outubro, a consultora internacional em liderança empresarial Judy Cohrs relatou um episódio em que um jovem executivo, com currículo brilhante e que acabara de assumir o posto de CEO numa corporação, fracassou no primeiro conference call que realizou com executivos da Bélgica, Austrália, Japão e Estados Unidos. Seu objetivo era transmitir as primeiras linhas de sua gestão, mas a conversa durou poucos minutos porque ele não conseguia se fazer entender e nem compreendia o que os executivos falavam.

Não basta, portanto, falar o idioma universal dos negócios, no caso, o inglês. A não compreensão dos sotaques regionais e das diversidades sociais, culturais e econômicas- em certos casos até religiosas- pode obstruir o relacionamento e restringir a atuação do líder junto à equipe global.

Para construir relacionamentos sólidos, o líder deve empenhar-se em perguntar e ouvir, entender e respeitar a diversidade não só de opiniões, mas também cultural, e estimular uma comunicação objetiva e transparente, definir regras e responsabilidades claras, de modo a estabelecer a credibilidade. Quando se fala em experiência internacional, das empresas globais, deve-se entender que o executivo necessita não só conhecer outro país, mas entender as características do mercado e da cultura de outras sociedades e saber se comunicar de forma efetiva.

Ex-vice-presidente sênior da Lee Hech Harrison, consultoria especializada em transição de carreira com 240 escritórios espalhados pelo mundo, Judy Cohrs garante que desenvolver nos executivos a arte da liderança virtual e estimular os times multiculturais são ingredientes para o sucesso das organizações globais e daquelas que estão querendo ultrapassar as fronteiras locais.

A globalização criou as organizações multiculturais, e essa diversidade é importante para o mundo dos negócios. A inovação, por exemplo, é resultado da diversidade. Empresas que atuam globalmente têm visões diferentes de mercados e produtos e, em função disso, podem ampliar mais facilmente seus negócios. Mas cabe aos líderes globais a condução dessa dinâmica e, para isso, eles devem exercitar qualidades como capacidade de decidir em momentos de conflitos, trabalhar com a comunicação voltada para diferentes culturas, contribuir para que tarefas e metas sejam de fato cumpridas e no tempo certo; ter sensibilidade para aproximar pessoas e gerar conhecimento mútuo.

O executivo brasileiro tem algumas competências, como a flexibilidade diante das mudanças alucinantes no mundo dos negócios e uma maior tolerância cultural, mas precisa exercitar melhor a capacidade de se comunicar virtualmente, por meio dos e-mails e das videoconferências. É preciso ter consciência de que as novas tecnologias são ferramentas importantes de gestão, mas cabe ao executivo global usá-las com inteligência, saber que as inovações tecnológicas só são boas se compatíveis com outros sistemas. O segredo, no entanto, está no relacionamento, ou seja, o executivo precisar conversar com seus pares em outras equipes e seus liderados.

 

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