• RSS Ultimos Toques…

    • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Jogos De Empresa – Técnica De Infantilização De Adulto, Picaretagem Ou Instrumento De Aprendizagem?

Maria Rita Gramigna
Em 1992, quando em atividade de facilitação de grupos, chegou às minhas mãos uma revista de circulação nacional apresentando matéria completamente parcial e depreciativa sobre técnicas alternativas de treinamento.

Minha indignação fez-me reagir a favor do esforço de inovação que nós, consultores e profissionais de desenvolvimento, realizávamos naquela década.

Tenho como uma de minhas melhores armas as palavras. Decidi, então, escrever este texto, que foi publicado em inúmeros jornais (também de circulação nacional) e duas revistas especializadas. Foi meu primeiro passo na batalha pelo respeito ao nosso trabalho.

Hoje, 10 anos depois, acho o texto ainda muito atual e merecedor de um replay.

Em reportagem veiculada em revista de circulação nacional (02/06/93), que, diga-se de passagem primou pela PARCIALIDADE e RADICALISMO, deparei-me com sérias críticas aos métodos de treinamento e desenvolvimento de pessoal que utilizam técnicas lúdicas, dentre elas os jogos.

Sendo profissional da área de Recursos Humanos e atuando na linha participativa e construtivista, não poderia deixar de me manifestar em defesa do que chamo de APRENDIZAGEM VIVENCIAL.

A história nos conta que todas as inovações científicas e tecnológicas só foram concretizadas a partir da dissidência e do desvio da ortodoxia, por pessoas ousadas e inovadoras. E, todas elas, provavelmente devem ter sofrido críticas, pois o novo assusta e ameaça o “status quo”, principalmente àqueles que estão solidamente deitados em berço esplêndido em sua cômoda rotina.

E os inovadores nada mais fazem do que atender necessidades emergentes dos grupos e do ambiente em que vivem.

As “técnicas de infantilização de adultos”, como foram chamadas na tal reportagem, nada mais são do que recursos pedagógicos que tentam resgatar uma coisa que o homem ocidental perdeu: a sua naturalidade e espontaneidade.

A perda desta naturalidade, substituída pela normalidade (obediência cega às comportamentos e atitudes impostos por um modelo social autoritário e despersonalizante) fez com que ele adoecesse.

Tomando como exemplo os executivos, pesquisas demonstram que em seu meio há um alto índice de doenças psicossomáticas e comportamentos auto destrutivos.

A era do homem organizacional (aquele que “veste” a camisa da empresa literalmente) não deixa tempo para que ele exerça seu principal papel: o de ser ele mesmo. Sua rotina diária é o trabalho. Ele transformou-se em um homem trabalhaDOR (mais dor do que trabalho) esquecendo-se da criança que habita em seu interior, e adotando comportamentos CEREBROTÔNICOS (ditados pela racionalidade).

Nós, ocidentais, estamos moldados por uma cultura essencialmente comandada pelo hemisfério cerebral esquerdo: o que orienta as ações planejadas, lógicas, quantitativas e competitivas. Fomos educados para acertar sempre e adquirimos o medo de errar, pois se errarmos provavelmente não seremos aceitos e admirados. Nesta lógica, fomos aos poucos, perdendo nossa inventividade – tão comum nas crianças em sua ousadia.

O momento empresarial brasileiro exige mudanças, qualidade, inventividade, criatividade, flexibilidade, empreendimento e ética – funções estimuladas pelo hemisfério cerebral direito.

Os jogos de empresa vêm, neste momento, atuar como instrumento que permite às pessoas desenvolver o “outro lado da moeda”, e desta forma, aprimorar seu modelo de tomada de decisão.
COMO FUNCIONA UM JOGO DE EMPRESA:

Montam-se em ambiente de laboratório, empresas ou setores empresariais simulados. Os jogadores são convidados a resolver problemas, em um ambiente onde não há sanções reais. Estimulam-se as tentativas através de desafios, onde regras determinam critérios para definição dos vencedores. O clima dos trabalhos é lúdico e todos têm a oportunidade de jogar em cena suas experiências, habilidades, dificuldades.

As atividades propostas variam desde a simulação de uma negociação entre vendedor e cliente até a fabricação de produtos para lançamento no mercado.

Para estimular as funções do hemisfério direito o facilitador opta por oferecer tarefas consideradas “infantis”, dentre elas:

• recorte e colagem;

• trabalhos com argila;

• montagem com sucata;

• quebra-cabeças;

• atividades com bola;

• confecção de brinquedos;

• enigmas para decifrar, etc.

Nesta decisão, há uma intenção: a de favorecer a quebra de barreiras e a transposição da fronteira do medo de errar. Quando adotamos atitudes infantis conseguimos ir à nossa essência e transcender o mito realístico do adulto. A fantasia e o sonho levam-nos ao envolvimento pleno com o objeto de encantamento: a brincadeira.

Para cada objetivo pretendido, a atividade selecionada é estudada cuidadosamente de forma a permitir que o grupo vivencie o processo que se quer enfatizar. Se o objetivo é desenvolver a habilidade de planejar em grupo, a tarefa escolhida deverá proporcionar aos jogadores esta chance.

Em seguida à vivência há todo um trabalho de análise de resultados, onde o grupo detecta suas falhas e acertos, comparando o modelo simulado de tomada de decisões com seu modelo real.

Em Pedagogia, o modelo vivencial é o chamado CONSTRUTIVISMO, cujo mestre foi Piaget. Aqui o aprendiz constrói seu modelo de aprendizagem a partir da experiência concreta e do contato com suas dificuldades e habilidades.

Tenho usado os jogos em meus programas de treinamento e desenvolvimento desde 1983, e mais recentemente, em seleção e identificação de potenciais. A princípio, na Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais.
De 1986 (quando iniciei o repasse da metodologia) até hoje, a adesão por profissionais e empresas de vanguarda tem sido bastante compensadora. Os feedback apontam o jogo como um instrumento rico no processo ensino-aprendizagem e um estímulo às mudanças muito efetivo.
Dentre as vantagens apontadas, tanto por facilitadores quanto por participantes de programas que utilizam jogos, estão:

• maior compreensão de conceitos, antes considerados abstratos;

• conscientização da necessidade de um realinhamento de posturas e atitudes no trabalho de equipe;

• redução do tempo do facilitador, já que a vivência favorece a compreensão de conceitos;

• maior possibilidade de comprometimento do grupo com mudanças que se façam necessárias;

• reconhecimento do próprio potencial e das dificuldades individuais;

• clima de motivação, afetividade e envolvimento;

• possibilidades de integração entre os participantes;

• harmonização dos hemisférios cerebrais.
O jogo, assim como outras técnicas vivenciais, quando bem utilizado tem um grande poder de transformação. Ainda não é reconhecido como tal por alguns profissionais, talvez por desconhecimento ou resistência ao novo. Mas eles estão aí, já ocupam lugar no mercado e nada pode negar esta verdade.

Recebido de Edna Paiva

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: