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CONHECI O MUNDO

O executivo João Pedro Reinhard se aposenta na Dow Chemical como um dos mais bem-sucedidos brasileiros no exterior e dá dicas para quem quer seguir seus passos  Marcos Gusmão O executivo João Pedro Reinhard, de 60 anos, fez uma carreira brilhante. Chegou à vice-presidência financeira da Dow Chemical, a maior empresa norte-americana do setor químico. Começou em São Paulo, foi para Suíça, ocupou a presidência da companhia na Itália, morou em Miami e hoje está em Midland, nos Estados Unidos. Num dia típico de trabalho o ex-VP lidava com executivos da China ao Oriente Médio, da África à Europa. Agora se aposenta, mas fica no conselho de administração da Dow, da Coca-Cola Company e do Royal Bank of Canada. Nesta entrevista a VOCÊ S/A, ele avalia o cenário para fazer carreira lá fora e aponta as competências mais valorizadas pelas múltis. 
 
O QUE O SENHOR FEZ PARA SAIR DO BRASIL COM APENAS DOIS ANOS NA DOW NA DÉCADA DE 70?
 
Não me mexi tanto para promover essa saída. Ela se deu graças a minha avaliação de desempenho.
NEGOCIOU COM OS CHEFES DAQUI?  
Não. A Dow era administrada de uma forma geográfica e não por unidade de negócios como é hoje em dia. O diretor financeiro para a América Latina, que ficava em Miami, me selecionou para trabalhar lá. Fiquei um ano e fui para o escritório da empresa em Midland, nos Estados Unidos. O SENHOR JA TINHA EXPERIENCIA INTERNACIONAL?  
Quando me formei na FGV de São Paulo, nos anos 60, recebi uma bolsa do Daad (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) e fui para a Universidade de Colônia, na Alemanha. Fiz pós-graduação e trabalhei na Krupp e na Bayer durante o verão. Ia voltar para o Brasil pela Bayer quando ex-colegas da Squibb, onde tinha feito estágio, foram para a Dow e indicaram meu nome. Fui contratado para trabalhar no Brasil em 1970.
O SENHOR PODIA TER RECUSADO O CONVITE PARA SAIR DO BRASIL?  
Podia e o fiz uma vez. Em 1980, como diretor da Dow Brasil, recebi uma oferta para virar diretor financeiro para a Europa, mas recusei. Aí, fizeram uma segunda tentativa e eu fui morar na Suíça. Depois disso, fui ser diretor-presidente da Dow na Itália e diretor-tesoureiro da Dow Mundial em Midland. FEZ PACTOS COM A FAMILIA PARA VIABILIZAR ESSAS VIAGENS?  
Eu me casei em 1974. Ela é peruana e já conhecia muitos países. Não foi preciso negociar, não.
O SENHOR CHEGOU ONDE QUERIA?  
Conheci o mundo e alcancei a realização profissional, sim. Fui reconhecido tanto dentro como fora da companhia. Houve até uma situação aqui na Dow, na sucessão para CEO, que foi um pouco traumática, porque eu era um dos candidatos e não fui escolhido. O executivo em questão só ficou dois anos porque sua escolha se mostrou um erro. ENTÃO TEVE AMBIÇÃO DE SER CEO?  
É uma questão de ambição? Existia a possibilidade. Mas por razões que nós não devemos entrar agora, preferi não fazê-lo. Ossos do ofício.
QUAIS COMPETENCIAS FIZERAM DIFERENÇA LA FORA?  
Em geral a empresa olha a integridade, a ética, o esforço e a dedicação. Observa também a capacidade de julgar, o uso do bom senso e se você demonstra ser capaz de dar um passo a mais para progredir.
QUAL O PESO DA AVALIAÇÃO DE PERFORMANCE?  
É importante, claro, mas na Dow se olha muito a análise de potencial. E, à medida que os profissionais se destacam nisso, eles têm preferência para ocupar os cargos que surgem.
QUAL É A MARCA QUE O SENHOR DEIXA NA EMPRESA?  
Tudo em recrutamento, treinamento e desenvolvimento de profissionais financeiros é herança nossa. São pessoas bastante cobiçadas. Hoje, inclusive, existem seis CFOs (chief financial officer) em outras empresas que trabalharam conosco. O grupo financeiro da Dow é reconhecido como um dos melhores em termos de custo e valor agregado. Outra realização importante foi a privatização do complexo petroquímico Buna, na Alemanha Oriental. Foi uma movimentação financeira de 6 a 9 bilhões de dólares em dinheiro alemão, em 1995. UM EXECUTIVO COM BOA PERFORMANCE NUMA MULTI SEMPRE É CONVIDADO PARA TRABALHAR NO EXTERIOR?  
Há 20 ou 30 anos, sim. Dentro das prioridades das maiores companhias internacionais, o Brasil sempre esteve entre os cinco primeiros países candidatos para investimento. Os brasileiros que se sobressaiam nas filiais eram convidados a exercer funções em nível corporativo ou de área, ou seja, latino-americana. Se dando bem nessas áreas, iam para outras de maior responsabilidade. AGORA NÃO É MAIS ASSIM?  
Não, porque as prioridades estão mais voltadas ao Pacífico, como a China e a Índia.
QUAIS SEUS CONSELHOS PARA O EXECUTIVO QUE QUER CRUZAR FRONTEIRAS?  
Primeiramente, a pessoa deve ter uma cultura mundial. E tem que aprender línguas. Por exemplo, eu negociava até pouco tempo atrás com pessoal não somente na China, como no Japão, no Oriente Médio, no Kuwait, na Arábia Saudita, com russos, checos, africanos e por aí vai. Então, o que se exige é uma capacidade de adaptação cultural.E aí que as línguas ajudam. Hoje eu falo seis idiomas (português, espanhol, francês, italiano, alemão e inglês). Falar o idioma local abre portas. COMO FICA O BRASIL NA SUA VIDA?  
O Brasil sempre fica. Ainda tenho passaporte brasileiro. Minha mulher se naturalizou americana. Um dia um CEO da Dow me perguntou porque eu não me naturalizava também, pois poderia ser mais vantajoso no futuro. Eu pedi para pensar. Fui então à final da Copa do Mundo, em Los Angeles, em 1998, quando o Brasil jogou contra a Itália. Estava com um amigo velejador, Bill Koch, e, quando o Brasil ganhou, perguntei para ele: o que é mais emocionante do que uma final de mundial? O coração bateu muito forte pelo Brasil. Percebi que era impossível mudar minha naturalidade. Foi isso que expliquei ao CEO depois.  

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