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A ordem é relaxar a musculatura

Patrícia Bispo

 

Em muitas empresas, a rotina dos colaboradores tem início a partir do momento em que os computadores são ligados ou mesmo quando as máquinas começam a operar nas linhas de produção. No entanto, para outras organizações o dia-a-dia das equipes começa com alongamentos e exercícios que ajudam a corrigir a postura corporal no trabalho. Essa segunda situação é vivida por empresas que têm recorrido à ginástica laboral – uma prática que nasceu com as empresas japonesas, nos anos 20, que objetiva auxiliar as pessoas a começar a jornada organizacional com mais disposição e que, hoje, é considerada uma das alternativas para melhorar a saúde do trabalhador.

Na Ouro Fino, desde 1997, a ginástica laboral foi incorporada à rotina dos colaboradores que atuam tanto na indústria e como na área administrativa. Atualmente, cerca de 80% dos funcionários da empresa participam diariamente das atividades que são conduzidas por uma educadora física. “Quando implantamos a ginástica laboral, não tínhamos um número elevado de afastamentos por causa de problemas relacionados aos movimentos repetitivos. Por outro lado, percebíamos que nossos colaboradores se queixavam muito de dores musculares e apresentavam um certo desconforto e mal-estar físico que chegavam a causar falta de disposição para o trabalho. Esse tipo de ‘reclamação’ nos levou a procurar uma atividade que pudesse melhorar a disposição do pessoal e, conseqüentemente, aumentasse a produtividade no trabalho. Então, chegamos à ginástica laboral”, afirma o gerente de RH da empresa, Ruben Guimarães, ao se referir os motivos que levam a empresa a adotar essa prática.

Fundada em 1987, a Ouro Fino atua no ramo de produtos veterinários e é uma empresa 100% brasileira, com sede em Ribeirão Preto/SP. Possui mais de 120 itens em sua linha de produtos e atende às necessidades do mercado bovino, avícola, suíno, caprino e camelídeo. A organização produz ainda itens para animais de companhia que formam o chamado mercado pet. No segmento veterinário, a empresa conta com oito mil clientes no Brasil, além de representantes em todas as regiões brasileiras, exportando ainda para 18 países. A Ouro Fino possui cerca de 120 colaboradores externos e mais 300 internos. Em 2003, a empresa apresentou um crescimento de 30% em relação ao ano anterior.

Antes de adotar a prática laboral, a Ouro Fino realizou uma pesquisa para saber que tipo de programa deveria ser implantado para melhorar a saúde dos funcionários e só após consultar especialistas, a organização iniciou as aulas. Guimarães também comenta que a empresa buscou conhecer experiências de outras companhias, para que essas pudessem servir de modelos.

“A nossa expectativa é de que todos os colaboradores participem da ginástica. Inicialmente, poucos funcionários participavam da atividade por timidez e falta de conhecimento em relação aos resultados que pudessem obter. Mas, começamos a fazer um trabalho de conscientização e a participação foi aumentando. Hoje, a empresa tem duas unidades: uma produtiva e outra administrativa. Os funcionários participam da ginástica diariamente. Não temos 100% de adesão, pois sempre algum colaborador precisa participar de uma reunião, encontra-se em viagem ou fora da empresa resolvendo algo. Hoje, podemos dizer que quase todos participam dessa atividades, sendo que o pessoal da área produtiva é mais assíduo”, resume o gerente de RH, salientando que as aulas são opcionais e que os colaboradores têm percebido a importância e a eficiência da ginástica.

Em relação aos colaboradores da linha de produção, Guimarães esclarece que esses realizam trabalhos repetitivos, montam as caixas e embalam os produtos fabricados pela empresa. Na maior parte do tempo, os profissionais ficam sentados e posicionados em frente a uma esteira de produção e dessa forma, precisam de orientações sobre o melhor posicionamento e a necessidade de praticar alongamentos entre as tarefas que realizam. “A produção é apenas um exemplo. O desconforto também era sentido nos profissionais ligados às áreas administrativas, que trabalham muito tempo sentados e em frente aos computadores”, complementa o gerente de RH.

Ruben Guimarães menciona que estudos realizados em empresas americanas revelam um retorno de cinco dólares para cada dólar aplicado nessa área. Ele afirma que o investimento da Ouro Fino tem sido voltado para a contratação de uma educadora física e para a infra-estutura que precisa ser adaptada para melhorar a postura dos colaboradores durante as atividades. No entanto, tudo isso é revertido em bons resultados, ou seja, em aumento de produtividade já que as pessoas que participam da ginástica voltam com mais disposição e agilidade para o trabalho. Outro benefício trazido pela prática, complementa o gerente de RH, é o fato do relacionamento entre os colaboradores ter melhorado, pois a descontração das aulas faz com que o ambiente torne-se mais agradável.

Para conseguir um índice de participação alto nas aulas laborais, a Ouro Fino vem realizando um trabalho contínuo de conscientização juntos aos colaboradores. Para isso, a empresa utiliza murais para divulgar desenhos didáticos que orientam sobre as melhores posições que devem ser adotadas em determinadas situações. Nesse espaço também são divulgados, entre outros, exercícios de alongamentos que podem ser feitos durante o trabalho ou até mesmo em casa. Além disso, a importância da ginástica laboral sempre é colocada na pauta das reuniões ou dos eventos realizados pela empresa.

As aulas – Na Ouro Fino, as aulas de ginástica laboral são realizadas diariamente, sempre no início do expediente, no próprio local de trabalho dos funcionários, com duração de 15 minutos. De acordo com a educadora física responsável pelo trabalho desenvolvido na organização, Daniela Achite, existem pontos fundamentais que mostram os benefícios das atividades laborais. Ela destaca, por exemplo, melhora da flexibilidade e da mobilidade articular, prevenção da fadiga muscular, minimização dos vícios posturais, estímulo à sociabilização, aumento da disposição para o trabalho, autoconhecimento do corpo, melhora na coordenação motora, bem como diminuição dos índices de absenteísmo e de consultas ambulatoriais.

“Além disso, podemos destacar a melhora da produtividade individual e do grupo, prevenção das Lesões por Esforços Repetitivos (LER), dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) e do estresse ocupacional. Qualquer colaborador pode participar das aulas laborais, desde que tenha sido aprovado pelo exame médico – Medicina do Trabalho – para a contratação nos padrões empresariais”, destaca Achite, ao afirmar que o educador físico deve manter-se atento para qualquer tipo de anormalidade física relatada pelos colaboradores, encaminhando-os ao médico responsável para avaliação ou restrição, se for o caso, para uma possível reabilitação por parte de um fisioterapeuta.

“Devemos lembrar que conforme conceituação legal, o responsável pela ginástica laboral dever ser sempre um educador físico, pois esse trabalha a prevenção, cabendo ao fisioterapeuta a reabilitação física e a reinserção do colaborador à ginástica laboral, sempre sobre observação médica”, comenta Daniela Achite.

O colaborador – Para o auxiliar de marketing da Ouro Fino, Jeverson Martinez, as aulas de ginástica laboral vêm dando resultados positivos e ele pode evidenciar isso na rotina de trabalho. “Pratico a ginástica laboral desde que foi implantada na empresa. Com a atividade pude rever posturas inadequadas quanto à ergonomia e, assim, os problemas relacionados aos sedentarismo certamente diminuiram. Precisei fazer mudanças nos meus hábitos. Precisei adaptar melhor o computador à minha altura, pois estava em posição errada e isso me causava algumas lesões. Melhorei também a postura da cadeira, durante o expediente faço alongamentos e exercícios sempre que sinto um certo desconforto, já que faço movimentos repetitivos na digitação”, resume o colaborador da Ouro Fino.

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