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O Emprego Em 2016

Fonte: O Estado de S. Paulo – SP – Economia & Negócios – 22/01/2008

José Pastore*

Como faz a cada dois anos, o Bureau of Labor Statistics (BLS) do Ministério do Trabalho dos Estados Unidos acaba de dar a público as suas projeções para a situação do emprego daqui a dez anos (Employment Outlook: 2006-2016, Monthly Labor Review, novembro de 2007). Apesar dos riscos envolvidos em tais exercícios, até hoje aquele órgão acertou a maioria das suas projeções.

O BLS prevê que o crescimento econômico dos Estados Unidos terá um ritmo mais lento – cerca de 2,8% ao ano. O consumo aumentará 2,9% anuais. A inflação é estimada em 2,7% anuais. O déficit comercial persistirá. Os gastos com defesa continuarão crescendo a 1% ao ano. A produtividade do setor não agrícola crescerá 2,2% anuais, menos do que ocorreu no período de 1996-2006 (2,6%). Com a previsão de um bom desempenho da economia mundial, o BLS acredita na continuidade da desvalorização do dólar em relação às moedas dos principais “players”.

Dentro desse quadro, o desemprego deverá ficar na casa dos 5%, mais alto do que nas décadas recentes (4% em média). A força de trabalho deverá diminuir em termos relativos em decorrência da redução do crescimento populacional e do envelhecimento da população.

Projeta-se um crescimento da força de trabalho da ordem de 0,8% ao ano, um pouco abaixo do aumento da população (0,9%). A participação da população no mercado de trabalho deverá cair dos 66,2% atuais para 65,5% em 2016. Espera-se, porém, um aumento da participação dos que têm mais de 55 anos. Daqui até 2016, os cidadãos viverão mais, serão mais saudáveis e estarão mais propensos a prolongar suas carreiras. As reformas no sistema de aposentadorias (a idade está subindo gradualmente) deverão contribuir para isso.

Onde estarão as melhores oportunidades de emprego? Quase todo o crescimento do emprego se dará no setor de serviços, que, em 2016, estará empregando cerca de 130 milhões de pessoas – 86% da força de trabalho. A saúde, os profissionais liberais, os negócios e as atividades de assistência no campo social são os que mais crescerão. A construção (civil e pesada) é o único setor a expandir o emprego no campo da produção de bens. Agricultura e pesca reduzirão os empregos. A indústria de transformação também encolherá o emprego em 1,1% ao ano. Mas o forte aumento da produtividade nesse setor resultará num crescimento do PIB industrial de 2,4% ao ano. Apesar de expressivo, esse crescimento ficará aquém do PIB dos serviços, que crescerá 3,3% ao ano, com um salutar aumento do emprego.

Quais são as profissões que crescerão mais depressa? Quase todas no setor de serviços, como, por exemplo, os profissionais que lidam com sistemas de comunicação, pessoal de atendimento domiciliar (crianças, doentes e idosos), engenheiros ligados à informática, técnicos e tecnólogos, analistas e consultores financeiros, artistas de teatro e televisão, paramédicos, veterinários, conselheiros pessoais (para problemas mentais, matrimoniais e com drogas), assistentes sociais, fisioterapeutas, farmacêuticos, pessoal auxiliar em odontologia e profissionais ambientais. A grande maioria destas profissões requer formação universitária ou superior.

Quais são as profissões que empregarão as maiores quantidades de pessoas? Nesta categoria estão os que trabalham com enfermagem, vendas (presenciais e virtuais), atendimento aos consumidores, alimentação fora de casa, escriturários diversos, auxiliares domiciliares (crianças, doentes e idosos), professores universitários, contadores e auditores, secretárias executivas, engenheiros de computação, edição computadorizada, paisagistas, professores de escola fundamental, recepcionistas, seguranças e carpinteiros. A metade destas profissões requer educação de nível médio e treinamento profissional específico. Um terço requer formação universitária. As demais exigem uma mescla de educação geral e técnica em áreas específicas.

Infelizmente, o Brasil não possui um sistema de projeção como esse. Mas, a manter um crescimento de 5% ao ano, a demanda de trabalho será bem superior à das últimas duas décadas. É uma diferença importante em relação aos Estados Unidos. Ademais, o Brasil tem ainda um grande espaço para crescer o emprego na infra-estrutura, na agroindústria e nos pequenos serviços. Isso tudo será tema de um próximo artigo.

*José Pastore é professor de relações de trabalho da Universidade de São Paulo. Site: http://www.josepastore.com.br

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