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Ria das suas gafes

Colaboradora: Edna Paiva

Texto: Reinaldo Polito

Há muita gente encrenqueira que não consegue viver um instante sequer sem arrumar algum tipo de confusão. Você deve conhecer algumas pessoas com esse jeitão briguento.

Olhou. Não gostou. Pronto. O circo já está armado. Na primeira oportunidade, o Zé Pimenta fecha o tempo e apronta o sururu.

Aprender a pegar leve e não levar tudo a ferro e fogo é uma arte que ajuda a manter o equilíbrio, a paz e a serenidade. E viver em paz conosco e com os outros é sinônimo de qualidade de vida.

Tão ruim quanto viver tirando satisfação para mostrar que só você sabe marchar e que os outros andam com o pé trocado é tentar se proteger e não permitir o mínimo deslize no próprio comportamento.

Certas pessoas ficam tão preocupadas em proteger a própria imagem que não percebem que essa atitude acaba por isolá-las, e até provocando insegurança e sofrimento.

Há situações e situações. Se eu dissesse que você não deveria reagir ainda que uma pessoa o criticasse sem razão, mesmo estando certo, eu receberia uma montanha de e-mails indignados, já que o endereço da minha página está sempre no final dos meus textos para que os leitores possam se manifestar livremente e me conhecer melhor.

Por isso, vou me referir às críticas e observações que as pessoas possam fazer com fundamento, e as que você faz a si mesmo, censurando determinados comportamentos que julga inadequados no convívio social.

Vamos imaginar que alguém critique sua roupa, sua gravata, seu brinco, os aros dos seus óculos, sua dicção, ou seus erros gramaticais. Talvez ele tenha razão, talvez não.

Para assuntos dessa natureza, a pessoa tendo ou não razão, não vale a pena retrucar.

Ao invés de se defender apenas para tentar proteger sua imagem, provavelmente, seria mais conveniente ficar na sua e aceitar o comentário.

Talvez a crítica parasse por aí se você dissesse, por exemplo, que deveria ter optado por uma roupa mais apropriada, ou que achava também ser o momento de acabar com alguns deslizes gramaticais.

Espernear ou reagir a certos comentários inofensivos, apenas para proteger a imagem, e até sem ter razão, quase nunca é a melhor política. Ao contrário, além de não proporcionar nenhum benefício, pode deixar você ainda mais desgastado.

Aprender a rir dos seus próprios tombos, a zombar dos seus deslizes e a se divertir com suas gafes é um bom caminho para se tornar uma pessoa mais leve e cativante, que aceita a vida de forma mais tranqüila, sem aborrecimentos, com mais domínio do que ocorre à sua volta.

Veja o caso do Jô Soares. No início de seu programa, ele tem o hábito de contar algumas piadas. De vez em quando, entretanto, as piadas não se mostram lá muito interessantes.

No princípio, o insucesso da tentativa de humor deixava o entrevistador frustrado. Com o tempo ele descobriu que a solução para o problema estava no próprio problema.

Depois de contar a piada, se o público rir, ótimo, ele faz aquela carinha feliz de quem escolheu com bom gosto e inteligência uma ótima piada.

Se, entretanto, a platéia não reagir, de maneira habilidosa ele se junta ao grupo e critica o que acabou de falar: ‘Essa não tem graça nenhuma’; ‘e eu ainda tenho a coragem de ler uma besteira dessas’; ou simplesmente dá uma risada irônica debochando da própria atitude.

Com essa autogozação, invariavelmente, arranca gargalhadas da platéia – mais até do que conseguiria se a piada tivesse sido engraçada.

Essa estratégia deixou o apresentador de televisão muito mais à vontade, pois passou a contar as piadas com maior desenvoltura, com a certeza de que, no final, o resultado é sempre positivo.

Outro ótimo exemplo foi dado por George W. Bush. Depois de assumir a presidência dos Estados Unidos ele usou e abusou das escorregadelas gramaticais e das impropriedades lingüísticas.

Foram tantos os erros cometidos que, em pouco tempo de governo, publicaram um livro com seus deslizes. A obra de Jacob Weisberg tem o título “George W. Bushisms”, que em bom português significa Bushismos de George W.

O livro contempla pérolas como esta: “Mais e mais nossas importações vêm do exterior”. Cá entre nós, é preciso ser um “gênio” para saber que as importações vêm do exterior!

De maneira habilidosa, ao invés de tentar se explicar e se defender, juntou-se ao grupo e passou a rir das próprias gafes. Por exemplo, durante o jantar na Associação dos Correspondentes de Rádio e Televisão, que se realiza anualmente em Washington, ele não hesitou em fazer coro com o livro que aponta suas impropriedades:

“Eis aqui uma do livro – e eu de fato disse isto (risos): ‘Sei que seres humanos e peixes podem coexistir pacificamente (risos)’. Isso dá o que pensar (risos e aplausos). Qualquer um pode fazer uma sentença coerente, mas uma como esta leva a uma dimensão totalmente nova (risos)”

E assim, lendo suas frases, Bush divertiu a platéia e se divertiu com ela. Quem poderia criticá-lo se ele mesmo tomou a iniciativa de fazer a autogozação?!

No final, aproveitou o momento de descontração e deixou para a platéia a mensagem que desejava:

“Não penso que seja saudável levar-se muito a sério. Mas levo muito a sério minha responsabilidade como presidente de todo o povo americano. É o cargo que ocupo. E foi isto que vim dizer-lhes esta noite. Obrigado por me considerarem, e obrigado por sua ‘horspitality’ (sem tradução – risos e aplausos).” (Frank Bruni, do jornal “The New York Times”)

Observe que a autocrítica e a autogozação são excelentes recursos para cativar as pessoas, pois demonstram que você não é guiado pela vaidade e que não vive se policiando com atitudes defensivas.

Note, entretanto, que nos exemplos mencionados as pessoas utilizaram o recurso da autogozação com inteligência. Jô Soares passou a criticar as piadas sem graça que contava como um meio de evitar o constrangimento e conquistar a simpatia do público.

Bush tomou a iniciativa de brincar com seus erros porque já tinham sido divulgados, publicados e por isso mesmo eram muito conhecidos. E aproveitou a circunstância para reafirmar que achava importante não se levar muito a sério, mas que agia com muita seriedade nas suas funções como presidente dos americanos.

Quando alguém der uma sugestão ou fizer uma crítica, procure não se justificar ou dar explicações – apenas agradeça. A maioria, quando recebe uma sugestão ou crítica, independentemente de a pessoa ter ou não razão, começa a se justificar e tentar dar explicações. Cuidado, pois pode passar a idéia de insegurança e tirar a liberdade para que os outros continuem ajudando.

O recurso é muito bom. Tome sempre cuidado, entretanto, para não exagerar na medida, transformando-se em verdadeiro arauto das suas imperfeições.

Nada de dizer sem necessidade, por exemplo, que de manhã tem muita dificuldade para funcionar e que, neste período, se tiver que fazer algo importante, precisa pegar no tranco.

Também não deve revelar gratuitamente que tem dificuldade para raciocinar, que se acha meio burrinho, preguiçoso, lerdo, desorganizado, impontual, dorminhoco e tantos outros adjetivos que só contribuirão para desgastar sua imagem.

Essas atitudes não são sensatas e podem comprometer sua reputação. A não ser, conforme vimos, que o fato seja muito conhecido e que por isso não haveria possibilidade de ocultá-lo.

Ao tomar a iniciativa de se criticar, lembre-se sempre de aproveitar a oportunidade para valorizar alguns outros aspectos das suas atividades ou da sua personalidade.

Assim, com inteligência, sensatez, habilidade, você poderá não se levar tão a sério e ter uma vida muito mais descontraída.

SUPERDICAS DA SEMANA

Brinque com suas características físicas

Ria dos seus próprios deslizes

Ironize as gafes que cometer

Concorde com críticas inofensivas, mesmo que infundadas

Recomende este texto a alguém que vive se justificando

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