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O Castelo


Dentro do meu coração tem um enorme Castelo. frio, feito de pedras cinzentas e maciças, no alto de um rochedo junto ao mar.
Sua aparência rústica, suas paredes corroídas pelos ventos que sopram incessantemente anos a fio, não nos deixa dúvidas sobre sua idade medieval e nos remota logo àquela época.
Nele vivem todas as pessoas que eu conheço, conheci e conhecerei durante a minha existência, independentemente de gostar delas ou não.
Algumas estão no Salão Nobre, um local belo e aconchegante. Em geral ficamos junto a lareira, onde brincamos feito criança, conversamos como gente grande e, até mesmo fazendo absolutamente nada, apenas apreciando a companhia de seus freqüentadores.
Na presença destas pessoas os dias são mais radiantes, os sons mais suaves, as cores mais sublimes, vividas e, os perfumes mais sutis e são elas, que de certa forma mantém a beleza do lugar e toda a estrutura do Castelo em pé.
Estas eu nunca deixo sair, mas são também independentes da minha vontade, as únicas capazes de ao menor sinal de problema, abandonarem o aconchego e o conforto do local para acudir quem quer que seja, onde quer que esteja.
Tais pessoas vão, por vezes, a procura de mim mesmo, pois ainda que eu seja o dono do Castelo, me perco pelos seus corredores. Fazem de tudo mesmo sabendo que podem correr o risco de não voltarem ao Salão jamais. Contudo entendo que estas atitudes fazem com que, para elas, o Salão nunca feche suas portas.
É um grupo restrito, seleto e especial, isso não negarei. Por vezes tenho a sensação que o ambiente fica tão grande que sinto falta de mim mesmo, sinto como minha essência fosse arrancada, sinto a ausência de alguém, mas infelizmente eu não consigo encher o Salão.
As pessoas, por mais que eu as convide, que insista e peça, que me esforce e aponte o caminho, que eu as leve pessoalmente até aos seus portais para que possam adentrar, são elas, e não eu, que detém as chaves. Cabe a elas forjarem, moldarem e usarem suas chaves, e não eu,
não eu…
As que estão lá dentro são os amigos no sentido mais amplo e abrangente que tal palavra possa ter. São para estas que eu posso dizer independente do sexo, cor, religião, posições ou quaisquer coisa “EU TE AMO”, sem a menor preocupação de ser mal interpretado.
– É, realmente são poucas… !
Umas vão e vêm pelos corredores do Castelo à procura do tal Salão, outras até sabem em que área do Castelo se encontram o reservado cômodo, mas não querem nem mesmo ter o trabalho de caminhar até ele.
Tem aquelas também que, mesmo estando diante de seus portais, não conseguem enxergar o seu significado, não conseguem entender que as chaves não são uma “coisa” como pensam e que possam carregar no bolso,  mas sim um simples sorriso, um pequeno gesto, ou mesmo um singelo olhar, e com isso não conseguem desfrutar do aconchego que suas dependências oferecem. Estas eu esbarro aqui e ali, mas infelizmente (ou felizmente) não tem acesso ao Salão Nobre (também chamado de “Salão Dourado” por alguns). Diria que são os “indiferentes”, ou
“vitimas de suas próprias ações e atitudes”.
Um outro grupo, também seleto de pessoas, estão nos calabouços. São colocadas em uma fila indiana. Algumas vezes, tal fila perde-se de vista.
– Para que esta fila?
Bem, para serem jogadas no fosso, afinal de contas tenho que alimentar os crocodilos que vivem ali.
Este grupo sabe onde fica o Salão, alguns até consegue transpor os seus portais, mas não ficam muito tempo, e, infelizmente quando saem nestas condições dificilmente conseguem voltar, e não suportando nem mesmo os corredores acabam na fila.
Não é difícil entrar no Castelo, pois sua ponte levadiça esta sempre abaixada.
Não é difícil entrar no Salão e juntar-se à lareira, mas não sei explicar por que ele nunca está lotado.
Todos nós temos nossos Castelos com seus Salões, corredores e calabouços e até torres. Todos nós estamos no Castelo dos outros, diversas vezes não sabemos em que dependências nos encontramos, outras vezes não queremos estar onde estamos, mas assim como cabe ao outros se colocarem onde desejam no meu Castelo (em meu coração), cabe apenas a mim saber onde me colocar no Castelo dos outros.
Gilmar Cordeiro (dez/2004)

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