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O que é a timidez?

O rubor na face – também chamado de “vermelhidão no rosto” ou de “rosto vermelho” –, é um importante sinal de timidez ou fobia social. Ele pode estar associado ou não ao rubor das orelhas e do pescoço. Seu aparecimento é acompanhado de um sintoma que se caracteriza por sensação súbita de calor na região afetada, sendo um sinal que ganha ainda mais destaque conforme mais clara for a pele da pessoa.

Por Dr. Evaristo de Carvalho

Há duas categorias de causas: psicológicas e fisiológicas. As psicológicas são as próprias causas da timidez ou da fobia social, ou de qualquer outro transtorno psicológico. Em geral, esse sinal aparece quando a pessoa se julga criticada ou avaliada negativamente pelos outros, conhecidos ou não, ainda que o julgamento desfavorável seja apenas imaginado. Pode ocorrer até mesmo em situação de convívio com amigos ou familiares.

Já as causas fisiológicas dizem respeito ao que ocorre na região – rosto e/ou orelhas e/ou pescoço –: uma vasodilatação súbita e intensa aumenta o aporte de sangue para a área sem que haja uma demanda natural para isso. A razão de ocorrer particularmente nessas regiões, reside no fato de que nelas a pele apresenta uma vascularização aumentada em relação à pele da maior parte do organismo. Essas áreas – assim como a planta dos pés, a palma das mãos e os lábios, por serem partes muitos expostas ao frio – são dotadas de maior vascularização.

A timidez pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal, que interferem na realização dos objetivos particulares e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente (mas não exclusivamente) em situações de confronto com a autoridade, interação com pessoas do sexo oposto, contato com estranhos e à fala diante de grupos.

A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime – ou exprime pouco – seus pensamentos e sentimentos, e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida. Sob esse ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental.

Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social e inibidor dos excessos condenados pela sociedade. Ela funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas por meio de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Dois são os tipos de timidez:

Timidez situacional – A inibição se manifesta em ocasiões específicas e, portanto, o prejuízo é localizado. Por exemplo, a pessoa interage bem com a autoridade e pessoas do sexo oposto, mas sente vergonha de falar em público;

Timidez crônica – A inibição se manifesta em todas as formas de convívio social. A pessoa não consegue fazer amigos e falar com estranhos, intimida-se diante da autoridade e tem medo de falar em público, entre outros fatores.

Philip Zimbardo, da Universidade de Stanford, nos EUA, se refere ainda à outra espécie de tímido: aquele que não teme o relacionamento social, mas simplesmente prefere estar só, sentindo-se mais confortável com suas idéias e com seus objetos inanimados do que com outras pessoas. Esta seria a pessoa comumente chamada de introvertida, que tem muitos pontos em comum com o tímido e se torna vulnerável a transtornos de ansiedade.

Evolução da timidez

Adultos tímidos foram crianças tímidas ou adolescentes tímidos. Já adolescentes tímidos não foram necessariamente crianças tímidas. No entanto, ter um temperamento tímido na infância ou na adolescência não torna inevitável que alguém seja assim por toda a vida.

1. Infância

Algumas crianças nascem com predisposição a serem tímidas, assim como outras têm predisposição para se tornarem hiperativas ou calmas. Mas se uma criança com tal predisposição genética encontrar um ambiente propício para a timidez se desenvolver, isso certamente ocorrerá. Não há, contudo, unanimidade entre os estudiosos sobre quais são as causas da timidez na infância, variando as opiniões de acordo com a corrente doutrinária adotada por cada profissional. Há quem aponte o papel dos pais como decisivo nesse processo, e a timidez certamente se desenvolverá se um ou ambos os pais:

– Forem eles próprios tímidos, pois a percepção depreciada de si mesmo é    transferida para o filho;

– Forem muito agressivos, com o filho passando a perceber os outros como    potencialmente hostis;

– Submeterem o filho a constantes críticas ou humilhações silenciosas ou    públicas, comprometendo assim a auto-estima da criança;

– Criarem problemas familiares que causem vergonha, como o pai beber ou    ter uma vida desregrada, levando a criança ou o jovem a carregar essa    vergonha como parte de sua vida. O mesmo problema ocorre com a    separação dos pais;

– Tiverem um comportamento frio, já que pais que não exprimem seus     sentimentos não ajudam os filhos a desenvolver a percepção de confiança     em si próprios.

Em suma, a timidez deve ser vista como um traço do temperamento com tudo o que ele implica. Isto é, algo estável presumivelmente herdado, que aparece cedo na vida de uma criança e que, provavelmente, determina o posterior desenvolvimento da personalidade, da emotividade e da conduta social. Mas apesar do peso da hereditariedade, esse traço do temperamento poderá ser atenuado ou reforçado pela conduta dos pais e pelas experiências vividas pela criança na infância.

2. Adolescência

A timidez é mais comum na adolescência e independe do adolescente ter sido tímido na infância. O quadro na adolescência – principalmente nos primeiros anos – pode se mostrar sério, mesmo quando na infância se apresentou leve ou quase imperceptível.

O rápido crescimento por que passam os adolescentes pode fazer com que ele crie uma auto-imagem desfavorável de seu corpo, do todo ou de parte dele, mesmo que essa imagem distorcida não corresponda à realidade. Numa fase da vida em que a aceitação pelo grupo é essencial, essa distorção do corpo gera no jovem a insegurança de não ser bem visto pelos outros e favorece o reforço da timidez.

Esse estado de insegurança se alterna, por vezes, com um estado de euforia, quando o jovem faz alguma coisa para mudar a parte do corpo que lhe causa desconforto, como mudar o corte de cabelo ou fazer regime para emagrecer. Esse estado de euforia, no entanto, não costuma durar muito, e logo a insegurança e a timidez se reinstalam.

Esse quadro, porém, não costuma perdurar quando o jovem entra na idade adulta, por volta dos vinte anos. A persistir, no entanto, tem tudo para se transformar num quadro realmente grave de transtorno mental.

 


Dr. Evaristo de Carvalho
CRP 05-31410
Psicólogo e Diretor da Clínica Terapêutica Harmonya

Clínica Harmonya
Av. das Américas 4200, Ed. Paris, sala 120A
Barra da Tijuca – Rio de Janeiro
Tel. (21) 3150-2520

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